quinta-feira, 19 de agosto de 2010
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segunda-feira, 9 de agosto de 2010
quinta-feira, 17 de junho de 2010
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Fome no Sahel

Mali, 1985.
O centro de nutrição infantil de Douentza também atende mulheres com filhos em idade de amamentação.
História
No ensaio Fome no Sahel, o fotógrafo Sebastião Salgado mostra a difícil situação vivenciada na África, no período de 1984 a 1985.
Neste ensaio, ele retrata a miséria vivida por pessoas em vários países africanos, como Etiópia, Mali e Sudão. As imagens impressionam pela grande reafirmação da realidade que é de conhecimento de muitos, mas poucos realmente tomam atitudes que diminuam a grave escassez de recursos básicos para moradores de regiões afetadas diretamente pela exploração e pelas condições naturais.
Texto interpretativo
O dia a dia tem sido cada vez mais corrido e desafiador. Lutamos para conseguir um emprego, ter bens, conquistar coisas em favor de si próprias.
Preocupa-se tanto com os sonhos e as vontades, que a luta pela vida dos outros fica esquecida.
O egoísmo e a falta de amor pelo próximo têm se tornado freqüentes. Não ligamos para o que os outros neste exato momento pensam, passam, sofrem.
A imagem do ensaio Fome no Sahel alerta a preocupação de uma mãe e a sua luta pelos seus, a fim de que eles possam viver. Devemos ter coragem para ajudar seja lá quem for e ter a esperança de um futuro melhor para todos.
Ana Clara Guerra
Mestre
Um dia minha mãe virou e me perguntou:
- Filho, o que você quer ser quando você crescer?
Eu nem pensei antes de responder:
- Professor, mamãe!
A alegria de ensinar aos outros como meu professor fazia me encantava muito e me fazia ter a certeza que era daquela forma que eu queria ser. Uma pessoa que apesar de toda a miséria que enfrentávamos era capaz de sorrir e brincar enquanto nos ensinava, me fascinava. Olhos de menino, uma criança que só via o mundo belo apesar de ter ciência da desgraça que me rondava.
O chão no cimento cinza e todos sentados em fileiras com os pés esticados olhando para aquela figura que nos chamava e ao invés de dar nossa mão à palmatória dava um abraço e um carinho, dava aquilo que muitos não recebiam em casa, amor...
Eu era uma das poucas crianças que tinha ainda seus pais vivos e casados, muitos dos outros que freqüentaram aquela sala e tiveram o carinho daquele mestre haviam perdido seus entes queridos para a guerra, para as bombas, as tropas inimigas, os saqueadores e todos aqueles que queriam defender seus bens sem olhar a quem faziam o mal.
Hoje cresci e toda vez que paro e olho para trás agradeço aquele senhor que todas as manhãs sorria e me ensinava como crescer e me tornar alguém melhor, como sair daquele pais de miséria e fazer de mim um homem de bem.
Não sou o homem mais rico do mundo, nem tenho a pretensão de ser. Sou uma pessoa que estudou, lutou e muito para chegar hoje onde estou.
Tive que fugir da guerra, deixar para trás todos os meus amigos que se perderam entre os destroços e cadáveres, mas não me arrependo.
Pois quando acordo todo dia olho no espelho e digo:
- Você conseguiu!
Referência fotográfica:
Livro: – SALGADO, Sebastião e BUARQUE, Cristovam. O berço da desigualdade. Brasília: UNESCO, 2005.
Fotografia: Escola no Quênia na região do lago Turcana (p. 166-167).
